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Um café por dia reduz o risco de depressão em 8%? Investigador esclarece

2 Set 2025 - 08:45

Um café por dia reduz o risco de depressão em 8%? Investigador esclarece

Num vídeo partilhado no Instagram, alega-se, com base em dois estudos (ver aqui e aqui), que beber um café por dia reduz o risco de depressão em 8%. De facto, nas conclusões do primeiro estudo citado refere-se que “o consumo de café e cafeína foi significativamente associado à diminuição do risco de depressão” e, nos resultados, aponta-se para a diminuição de risco em 8%. Mas isto quer dizer que qualquer pessoa que beba um café por dia reduz o seu risco de depressão em 8%?

Para esclarecer o tema, o Viral contactou Rodrigo Cunha, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), investigador principal do Centro de Neurociência e Biologia Celular da mesma universidade e consultor científico do Instituto de Informação Científica sobre o Café (ISIC, na sigla inglesa).

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É verdade que beber um café por dia reduz o risco de depressão em 8%?

Segundo Rodrigo Cunha, não é bem assim. De facto, “a mensagem ‘o consumo de café e cafeína foi significativamente associado à diminuição do risco de depressão’ é correta face à evidência epidemiológica e de experimentação animal atualmente disponível”, aponta.

No entanto, é preciso ter cuidado para não extrapolar os resultados dos estudos disponíveis. 

Em primeiro lugar, “uma diminuição de 8% do risco de depressão é uma estimativa média”, ou seja, “haverá pessoas em que o benefício é superior, outras em que o consumo de café não tem efeito e outras em que o café poderá aumentar o risco de modificações de humor”, explica o investigador. 

No fundo, “o consumo regular de doses moderadas de café tem diferentes efeitos em diferentes pessoas”. 

Por isso, sublinha Rodrigo Cunha, o café não pode ser encarado como um remédio preventivo “para a depressão para toda a gente”, apenas como “uma opção dietética potencialmente benéfica para alguns”.

Por outro lado, acrescenta o professor da FMUC, apesar de haver evidência científica que associa o consumo de café à diminuição de risco de depressão, “não está demonstrado que melhora o humor em indivíduos deprimidos”, ou seja, “não cura a depressão”.

Quais os fatores de risco para a depressão? E como se trata esta doença?

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), “a depressão resulta de uma interação complexa entre fatores sociais, psicológicos e biológicos”.

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Embora a depressão “possa afetar ambos os sexos e pessoas de todas as idades e estratos sociais, o risco aumenta com contextos socioeconómicos mais frágeis, como a pobreza ou o desemprego, bem como devido a acontecimentos de vida que são sinónimo de muito stress”, explica-se num texto do site do balcão digital do Serviço Nacional de Saúde (SNS 24).

Por exemplo, “a morte de um ente querido, a rutura de um relacionamento, doenças graves e problemas causados pelo excesso do consumo de álcool ou de drogas aditivas” são fatores que podem desencadear ou precipitar episódios depressivos.

Além disso, os fatores genéticos também têm um impacto significativo no risco de depressão. Enquanto alguns genes aumentam a resiliência – a capacidade de recuperar de situações adversas – e protegem contra a depressão, “outros genes aumentam esse risco”, refere-se no mesmo texto.

Mas, salienta-se, “as mesmas situações de stress e perda podem desencadear a depressão numa pessoa e não na outra”.

Quanto mais cedo for tratada uma depressão, mais eficiente será o tratamento, que vai depender de três fatores principais: a “gravidade do quadro clínico”, a “preferência do doente” e a “presença ou não de outras doenças”.

De acordo com a informação do SNS 24, “a maioria dos doentes apresenta melhorias dos seus sintomas quando tratados com antidepressivos, psicoterapia ou uma combinação de ambos” (ver também aqui, aqui e aqui).

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Saúde mental

2 Set 2025 - 08:45

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