Cães e gatos: 3 sinais de que o seu animal pode estar em “stress”
Notou que, nos últimos tempos, o seu cão ou gato parece nervoso, deixou de o receber com o mesmo entusiasmo quando chega a casa, está apático ou tende a esconder-se mais? Estas mudanças no comportamento podem ser indicadores de stress nos animais de companhia, mas não são os únicos. Dois especialistas em comportamento animal explicaram ao Viral quais os principais sinais a que os donos devem estar atentos.
1- Atitudes extremas: do isolamento à agressividade

O médico veterinário Gonçalo da Graça Pereira, especialista em comportamento e bem-estar animal e professor na Egas Moniz School of Health and Science, explica ao Viral que “os sinais de stress ou ansiedade veem-se através da linguagem corporal do animal”.
Quando submetidos a situações novas ou diferentes, os cães e os gatos podem adotar comportamentos extremos de isolamento ou agressividade. São mecanismos que os animais utilizam para lidar com a mudança, mas podem ser “mal interpretados” pelos donos.
Ilda Gomes Rosa, professora na Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Lisboa, lembra que os gatos procuram isolar-se quando “algo não está bem”, sendo comum o animal “tentar desaparecer do alcance do ser humano”. Podem também, em “última instância”, ser agressivos com os donos ou com outros gatos que vivam na mesma casa.
O mesmo acontece com os cães: quando ficam ansiosos, estes animais podem, por um lado, “tentar fugir do contacto humano, isolar-se e ficar apáticos” ou, por outro, “ser extremamente reativos, agressivos e ladrar bastante”.
Alguns cães podem assumir uma posição “de submissão” – caracterizada pelo agachamento do corpo (para “parecer pequeno”), com as orelhas para trás e, em alguns casos, mostrando “a barriga”, descreve Gonçalo da Graça Pereira.
“O cão está a dizer que está num momento de tensão, que precisa de espaço. Forçar o contacto pode levar o animal a atacar”, acrescenta o especialista.
Também na rua, os cães podem apresentar sinais de desobediência perante as ordens dos donos, começar a correr atrás de carros, bicicletas ou pessoas ou adotar outros comportamentos para chamar a atenção.
2 – Comportamentos compulsivos e desajustados

Os comportamentos compulsivos são também sinais de stress nos animais de companhia, mas podem manifestar-se de diferentes formas em cães e gatos.
Quando um animal fica a ladrar/miar sistematicamente sempre que está sozinho em casa pode ser um sinal de ansiedade de separação. O mesmo se aplica a um animal que destrói o mobiliário e outros objetos quando os donos saem.
Estes indicadores são mais visíveis para os donos, mas há outros que podem passar despercebidos. Atos como lamber o focinho, arfar, tremer, babar-se ou bocejar repetidamente são técnicas que alguns animais usam para se acalmarem perante uma situação de tensão.
Se a fonte de stress se prolongar, explica Gonçalo da Graça Pereira, estes comportamentos podem tornar-se “compulsivos” e acabar por provocar danos físicos ao animal, tais como “lambeduras psicogénicas”.
Também os gatos procuram comportamentos “que os acalmem”, tal como “estar constantemente a lavar-se” – ou seja, a lamber o pelo – e a afiar as unhas.
Ilda Gomes Ramos acrescenta que este comportamento de “autolimpeza”, apesar de relaxante, pode tornar-se compulsivo, levando o animal a “arrancar os pelos” e criar peladas na zona lateral do tronco.
A professora lembra que a ansiedade e o stress podem, inclusive, levar os animais a “situações de automutilação”.
3 – Falta de apetite e perda de rotinas de higiene

Se as taças da comida vão permanecendo cheias ao final do dia ou se o animal perder peso sem razão (mesmo que coma regularmente), é sinal que algo não está bem.
Em situações extremas ou muito prolongadas, esta circunstância pode conduzir a situações de má nutrição, o que está relacionado com outros problemas na saúde física do animal.
Outro sinal de stress é quando os cães e gatos começam a fazer as necessidades fora do local apropriado. Isto acontece quando um cão que está habituado a urinar e a defecar na rua passa a fazê-lo em casa ou se um gato começa a marcar exageradamente o território (através da urina) na sua habitação.
Nestas situações, Ilda Gomes Rosa apela aos donos que sejam “tolerantes” e que “não esperarem mais do que o animal consegue dar”. É preciso “ensinar gradualmente o animal novamente, com muita calma, e permitir a adaptação”, explica
“É difícil dizer quais os sinais de stress porque cada animal é um animal”, refere a especialista, apelando aos donos que estejam atentos a “sinais deslocados” e reações inesperadas do seu animal de companhia.
Quais os principais fatores de stress para os animais?
Da falta de estímulos em casa à mudança do agregado familiar, existem vários fatores que podem espoletar tensão e ansiedade nos animais. Com base na experiência clínica, os dois especialistas enumeram quais os principais fatores de stress que afetam cães e gatos.
Ilda Gomes Rosa recorda que os animais são muito sensíveis às “alterações de rotina diária”, o que pode causar stress. Além disso, mudanças de habitação, introdução de novos elementos na família – seja companheiros, crianças ou outros animais – também podem causar tensão.
No caso dos canídeos, os sinais de stress podem estar relacionados com uma “incorreta interpretação e comunicação com o tutor”, um meio “empobrecido” em termos de estímulos ou até por “falhas na socialização” do animal, refere Gonçalo da Graça Pereira.
“Estes animais acabam por desenvolver outros problemas relacionados com a separação. Podem não conseguir estar sozinhos em casa, atacar outros cães ou até pessoas”, acrescenta.
Em casas onde vivem vários gatos, é possível encontrar “muitos erros” ao nível dos recursos disponíveis – como, por exemplo, o número de casas de banho disponíveis. Além disso, é necessário “compreender se o grupo é compatível ou não”.
“Os gatos podem não gostar um do outro. Se não tiverem recursos suficientes, a tensão entre os animais vai aumentando”, remata o veterinário.
A professora Ilda Gomes Rosa aconselha os donos a estarem “atentos aos animais”, observando os sinais e os fatores que podem estar a causar desconforto: “Não há uma regra, é uma questão de conhecer o animal e perceber que ele está a adaptar-se a uma nova situação.”
Recorda também que é necessário dar tempo ao animal: nos primeiros dias, o animal sente-se demasiado exposto às mudanças e não está confortável; passadas algumas semanas pode conseguir sentir-se mais confortável; mas só ao fim de alguns meses é que estará completamente confortável e disponível para estabelecer uma ligação com os humanos.
Caso a situação causadora de stress se prolongue no tempo, é recomendado aos donos que procurem aconselhamento veterinário que, após descartar todas as patologias possíveis, poderá encaminhar o animal para especialistas em comportamento animal. Nestas consultas, será analisada toda a rotina do animal, assim como a interação com a família, a fim de identificar potenciais fatores de stress.
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