PUB

Aplicar azeite ajuda a hidratar o cabelo? Tem riscos?

1 Fev 2025 - 08:42

Aplicar azeite ajuda a hidratar o cabelo? Tem riscos?

No TikTok, são vários os vídeos em que se aconselha a aplicação de azeite, designadamente azeite virgem extra, em cada mecha de cabelo, uma vez que, alega quem já experimentou, este produto ajuda a controlar o frisado, as pontas secas, espigadas, grisalhas e, principalmente, deixa-o instantaneamente hidratado.

Em relação à utilização, há quem recomende aplicar este produto diretamente no cabelo da raiz até às pontas e esperar duas horas antes de passar por água. Outros autores aconselham misturar o azeite com um pouco de máscara para o cabelo e aguardar 15 minutos. Há ainda quem insinue que o azeite deve ser colocado após o banho, com o cabelo ainda molhado.

O resultado final mostra um cabelo brilhante, suave e com um aspeto saído do cabeleireiro. Será que funciona?

O azeite é um bom hidratante para o cabelo?

A resposta é não. Desde logo, porque as propriedades do azeite não têm sequer a função de hidratar o cabelo, quer seja virgem extra ou de outra qualidade.

Segundo Diogo Forjaz, dermatologista especialista em tricologia, este óleo vai apenas formar uma espécie de película que vai proteger o cabelo de fatores externos, como o frio ou o calor, impedindo que fique desidratado, função totalmente diferente da hidratação.

“Essa película vai fazer com que não haja evaporação da água existente no próprio cabelo. A olho rápido, o azeite deixa-o com mais brilho, mais macio e com melhor aspeto, por isso, é que [os vídeos] apontam para os resultados imediatos. Mas isso não significa que esteja hidratado. A água é que vai hidratar o cabelo”, explica, em declarações ao Viral.

De acordo com o médico, que é também co-fundador da Clínica Forjaz, aplicar azeite nas pontas do cabelo não tem riscos (apesar de não ser, de todo, recomendável). Por outro lado, a utilização deste óleo no couro cabeludo, ou seja, onde nasce o cabelo, pode ter riscos.

PUB

Além disto, continua Diogo Forjaz, misturar azeite com uma máscara para cabelo, produto que é “realmente estudado e testado para hidratar os fios de cabelo”, não faz qualquer sentido.

Da oleosidade à queda: eis os riscos 

Os riscos da aplicação do azeite acontecem quando o mesmo é utilizado com frequência e, em especial, perto da raiz do cabelo e do couro cabeludo, que é naturalmente oleoso e origina a produção normal de sebo. Assim sendo, o que o azeite vai fazer é adicionar mais oleosidade ao couro cabeludo e, consequentemente, provocar a obstrução dos poros.

A par disto, salienta o dermatologista, este produto “pode, eventualmente, provocar outras doenças e condições que não são normais, como o aumento da caspa, dermatite seborreica (descamação total do couro cabeludo associado à comichão) e, a longo prazo, queda capilar”.

Para o primeiro problema, existem champôs anticaspa, no entanto, lê-se neste texto informativo da Academia Americana de Dermatologia (AAD, na sigla original), quem tem cabelo grisalho ou encaracolado deve aplicar este produto apenas no couro cabeludo, tendo em conta que “os ingredientes que tratam a caspa podem deixar o cabelo ressequido”. 

A publicação recomenda ainda o uso de champô e amaciador adequado ao tipo de cabelo nas mechas e aplicar o anticaspa no couro cabeludo, “se for necessário”, lê-se.

“O couro cabeludo é onde estão os ciclos capilares e onde aparecem doenças que queremos tratar. A não ser que a pessoa tenha algum problema, o couro cabeludo é sempre oleoso. O cabelo é que pode ser seco e é por isso que as pessoas gostam de colocar azeite no couro ou no cabelo. Mas é errado”, aponta Diogo Forjaz.

PUB

O médico sublinha ainda que “devemos utilizar um champô apropriado ao nosso tipo de cabelo” e seguir o “tratamento específico para cada condição com um médico dermatologista especializado em tricologia”, conclui.

1 Fev 2025 - 08:42

Partilhar:

PUB