“As hérnias são uma coisa familiar”, diz Marcelo. O histórico familiar aumenta o risco de ter hérnias?
O Presidente da República teve alta esta manhã, após ter sido submetido, na segunda-feira, a uma cirurgia de urgência devido a uma hérnia encarcerada no Hospital de São João, no Porto.
À saída, Marcelo Rebelo de Sousa falou aos jornalistas e disse que as hérnias “são uma coisa familiar”. Esta não foi a primeira vez que o Presidente da República foi operado pelo mesmo motivo — em 2017, a uma hérnia umbilical e, em 2021, a duas hérnias inguinais.
Mas será que, como o Presidente insinuou, o facto de haver histórico familiar aumenta o risco de ter hérnias?
Histórico familiar é fator de risco para hérnias?
Sim, de facto a evidência indica que o histórico familiar é um fator de risco para desenvolver hérnias. A idade avançada, ser homem e a tensão repetida na barriga são outros aspetos importantes neste contexto.
Uma meta-análise publicada em 2023 concluiu que ter um familiar direto (pai, mãe ou irmão) com hérnia aumenta significativamente a probabilidade de desenvolver a condição. Mas os autores do estudo sublinham que, ainda que a predisposição genética seja importante, o risco é multifatorial.
As hérnias não são necessariamente hereditárias. Em alguns casos, o que se verifica é que certas famílias têm um histórico de músculos fracos, o que pode resultar num maior risco de desenvolvimento de hérnias.
O histórico familiar é particularmente relevante em certos tipos de hérnias, como as inguinais e femorais.
As hérnias inguinais são mais frequentes nos homens e as femorais nas mulheres. “Ocorrem quando o tecido adiposo ou uma parte do intestino se projeta para a virilha, na parte superior da parte interna da coxa”, lê-se no site do Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS, na sigla inglesa).
Para outros tipos de hérnia — como a umbilical ou de hiato — o fator hereditário pode aumentar a probabilidade, mas a evidência não é tão robusta, outros fatores parecem ser mais relevantes.