Argila verde acaba com a oleosidade do cabelo? Tem riscos?
No TikTok, alega-se que aplicar uma pasta de argila verde no couro cabeludo acaba com a oleosidade do cabelo. Segundo a autora do vídeo partilhado, a argila verde tira o aspeto de “óleo de fritar” do couro cabeludo, deixando-o seco. Será que esta técnica é eficaz e segura? Há riscos em aplicar argila verde no cabelo?
Aplicar argila verde no cabelo acaba com a oleosidade do couro cabeludo?
Em declarações ao Viral, Alia Ramazanova, médica de clínica geral e especialista em tricologia, começa por explicar que a argila verde, por si só, “não trata a oleosidade do couro cabeludo”.
Tal como esclarece a tricologista, ”a argila é utilizada na cosmética e nos cuidados da pele há centenas de anos”. É utilizada, sobretudo, “no rosto, em máscaras” faciais, “mas também no couro cabeludo”, devido ao seu potencial “efeito purificante e desincrustante” (ver aqui, aqui e aqui).
Por esse motivo, “existem muitos produtos, como alguns champôs específicos para couro cabeludo oleoso, que têm uma pequena percentagem de argila na sua composição, precisamente pelo efeito de absorção de oleosidade”, prossegue.
No entanto, isso é diferente “daquela argila que se compra em lojas específicas ou nos supermercados, que se mistura com água ou com leite, dependendo das receitas”, aponta a especialista.
Em ambos os casos, a argila verde, enquanto produto, o que pode fazer é apenas “eliminar temporariamente” a oleosidade. Isto porque, explica a médica, “ela tem a capacidade de absorver a oleosidade, dando a sensação de que ficamos com o couro cabeludo mais limpo”.
Contudo, refere Alia Ramazanova, não é possível eliminar, por completo, a oleosidade do cabelo. “Passadas duas horas de termos tirado a máscara, as glândulas sebáceas voltam a produzir sebo novamente e acabamos por voltar a ter o couro cabeludo oleoso”, clarifica.
Portanto, este controlo da oleosidade tem de ser sempre feito de forma contínua, através “de uma lavagem com os produtos adequados”, cuja frequência recomendada depende “das caraterísticas de cada couro cabeludo”, defende.
Num texto informativo da Academia Americana de Dermatologia (AAD) aconselha-se a lavar o cabelo “com base na frequência com que este fica sujo ou oleoso”.
Por exemplo, “se tiver um cabelo liso e um couro cabeludo oleoso”, é preferível “lavar o cabelo com champô todos os dias”, aponta-se.
Há riscos em aplicar argila no couro cabeludo?
De modo geral, não é recomendado fazer este tipo de tratamento caseiro com frequência, até porque “corremos sempre o risco de causar irritação no couro cabeludo”, salienta Alia Ramazanova.
Não é possível “garantir a pureza destas argilas”, porque são produtos “que acabam sempre por estar misturados com outros ingredientes de origem vegetal que não conhecemos, porque não estão discriminados” no rótulo.
Como a composição destes produtos “não é controlada”, nem tem “qualquer tipo de certificação”, estes podem conter substâncias prejudiciais para o couro cabeludo.
É especialmente importante que as pessoas “com um couro cabeludo sensível, com lesões ou feridas abertas, ou com condições como psoríase e dermatite seborreica” não sigam este tipo de práticas caseiras.
Havendo “algum tipo de lesão no couro cabeludo, corre-se sempre o risco de uma sobreinfeção nessa zona”, avisa a médica.
Mesmo assim, caso se tencione utilizar argila verde, é fundamental não deixar o produto secar enquanto está no cabelo.
Por si só, já é difícil de remover uma pasta de argila do cabelo. “Se estiver seca ainda é mais difícil”, assinala Alia Ramazanova.
Caso os “restos desta argila permaneçam no couro cabeludo e não sejam eliminados corretamente, podem, a longo prazo, causar irritação, inflamação e, posteriormente, queda de cabelo”, alerta.