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Aparelhos dentários: Quem deve usar? Quais os benefícios? Há riscos?

10 Abr 2026 - 08:15

Aparelhos dentários: Quem deve usar? Quais os benefícios? Há riscos?

O tratamento ortodôntico, que inclui sobretudo a utilização de aparelhos dentários, não serve só para fazer correções estéticas. Este tratamento, quando planeado e executado da forma correta por especialistas, pode ter um grande impacto funcional, nomeadamente na fala, na respiração, na mastigação e na deglutição. Quem deve usar aparelhos dentários? Quais os benefícios do tratamento? Há riscos?

Em declarações ao Viral, Francisco do Vale, diretor do Instituto de Ortodontia da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) e presidente do Colégio de Ortodontia da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), esclarece as principais dúvidas sobre a utilização de aparelhos dentários.

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Quem deve usar aparelho dentário?

“Em crianças sem necessidades de cuidados especiais, a primeira avaliação ortodôntica deverá ser feita idealmente no início da segunda infância, por volta dos 3 anos, altura em que a dentição decídua [dentes de leite] se encontra completa”, começa por adiantar Francisco do Vale. 

Segundo o dentista, “esta avaliação precoce permite, em muitas situações, prevenir, intercetar ou corrigir problemas ortodônticos específicos, evitando a sua progressão para quadros mais complexos e de mais difícil tratamento”. 

Além disso, o acompanhamento na infância também permite “orientar e normalizar o crescimento craniofacial”.

Por volta dos 6-7 anos, “após a erupção dos primeiros dentes definitivos”, é importante avaliar “a necessidade de tratamento”, refere-se num texto da OMD.

O tratamento ortodôntico “só é normalmente iniciado depois de a maioria dos dentes definitivos da criança ter começado a nascer”, refere-se num texto do Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS, na sigla inglesa). Isto acontece por volta dos 12 anos, “mas depende do número de dentes definitivos que já nasceram e do crescimento do rosto e da mandíbula”.

Os sinais de que uma pessoa precisa de usar aparelho dentário são variados, “sendo alguns mais evidentes do que outros”, aponta Francisco do Vale.

Nas crianças, “os problemas mais frequentes estão associados a alterações do desenvolvimento do maxilar superior, muitas vezes relacionadas com perturbações respiratórias”, adianta. 

Estas alterações podem causar situações, “como a chamada ‘mordida cruzada’, que interfere com a erupção dentária normal e com o crescimento harmonioso da face”. 

Nos adultos, “embora exista uma procura crescente para correção de deformidades dento-faciais complexas – frequentemente com necessidade de abordagem cirúrgica -, os casos mais comuns continuam a ser os de apinhamento dentário e ‘desalinhamento’ dos dentes”, explica o professor.

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Em qualquer um dos casos, o tratamento só deve ser iniciado quando se verifica “um bom nível de higiene oral, uma vez que o tratamento ortodôntico pode aumentar o risco de cáries e problemas gengivais”.

Existem vários tipos de aparelhos dentários. A escolha adequada varia “consoante o objetivo do tratamento – correção dentária ou intervenção ao nível da ortopedia dentofacial”.

De modo geral, há aparelhos removíveis e fixos. “Os casos mais ligeiros podem ser tratados com soluções mais simples, como aparelhos removíveis ou alinhadores transparentes”, esclarece. 

Já os casos mais complexos “podem exigir aparelhos fixos convencionais e, em determinadas situações, tratamento cirúrgico complementar”, sublinha o dentista.

Os aparelhos fixos “podem ser colocados na face vestibular dos dentes (mais comum) ou na face lingual, sendo, neste caso, praticamente invisíveis”, acrescenta.

Quais são os principais benefícios do tratamento ortodôntico?

O tratamento ortodôntico tem vários benefícios comprovados (ver aqui, aqui e aqui). “A saúde oral não se limita à ausência de doença, envolvendo funções essenciais como falar, sorrir, mastigar, deglutir, respirar e expressar emoções de forma confiante e sem dor ou desconforto”, defende Francisco do Vale.

Segundo o presidente do Colégio de Ortodontia da OMD, “uma oclusão dentária adequada – com dentes e maxilares corretamente posicionados e em equilíbrio com as restantes estruturas craniofaciais – é fundamental para uma função mastigatória eficiente, uma boa articulação da fala e uma respiração adequada”.

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Além disso, o tratamento ortodôntico eficaz “tem um impacto significativo no bem-estar psicológico e social, contribuindo para a autoestima e qualidade de vida”.

Existem riscos?

Qualquer tratamento tem riscos. O sucesso do tratamento ortodôntico “depende sobretudo de um diagnóstico rigoroso e de um plano terapêutico adequado – sendo frequentemente referido que cerca de dois terços do resultado dependem do planeamento e apenas um terço do tipo de aparelho utilizado”, explica Francisco do Vale.

Quando um tratamento é mal planeado ou executado, “pode originar efeitos adversos, incluindo lesões dentárias, reabsorções radiculares ou alterações do osso alveolar e dos maxilares” (ver também aqui).

Assim, a melhor forma de evitar ou minimizar riscos é recorrer a um dentista especialista em ortodontia, “garantindo uma abordagem baseada na evidência científica, com maior segurança e melhores resultados clínicos”, defende.

Quais os cuidados essenciais a ter durante e depois do tratamento?

Ter uma higiene oral adequada é importante em qualquer fase da vida, mas durante o tratamento ortodôntico “é um aspeto crítico”, sublinha Francisco do Vale.

“A escovagem deve ser realizada pelo menos duas vezes por dia, com um dentífrico fluoretado, utilizando uma quantidade ajustada à idade”. 

Para as crianças até aos 6 anos, a quantidade de pasta deve ser equivalente ao tamanho da “unha do quinto dedo da criança” e a partir dessa idade deve passar a 1 cm.

À noite, depois da escovagem, “não deve ocorrer ingestão alimentar, dado que a diminuição do fluxo salivar durante a noite reduz a capacidade protetora da saliva, aumentando o risco de cárie”, aconselha.

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Nos portadores de aparelho, em específico, “recomenda-se a utilização de escovas ortodônticas, fio dentário e escovilhões interdentários”. 

Os escovilhões “devem ser utilizados antes da escovagem, de forma a remover os resíduos alimentares, permitindo uma limpeza mais eficaz”, esclarece o dentista.

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A duração do tratamento ortodôntico “varia em função da complexidade do caso, da idade do doente, da resposta biológica ao tratamento e do grau de colaboração”.

De modo geral, “um tratamento com aparelho fixo tem uma duração média de cerca de 24 meses” e, em casos mais complexos, nomeadamente os que requerem “cirurgia ortognática, podem prolongar-se por mais 12 meses (ou mais)”, avança.

Após a conclusão do tratamento, “é fundamental cumprir rigorosamente as indicações do ortodontista”, sobretudo “no que respeita ao uso de aparelhos de contenção”.

Regra geral, aponta Francisco do Vale, “estes dispositivos devem ser utilizados por um período não inferior a dois terços do tempo do tratamento ativo, podendo, em alguns casos, ser recomendada a sua utilização prolongada”.

Também é importante manter “consultas periódicas de vigilância”, para “assegurar a estabilidade dos resultados obtidos”, conclui.

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Saúde Oral

10 Abr 2026 - 08:15

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