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Ano Novo, vida nova: como mudar (e manter) hábitos e rotinas durante todo o ano?

1 Jan 2026 - 08:45

Ano Novo, vida nova: como mudar (e manter) hábitos e rotinas durante todo o ano?

A passagem de ano é um momento de reflexão e de mudança. Muitas pessoas utilizam este dia simbólico para criar novos hábitos. “Ser mais saudável”, “fazer exercício físico”, “começar uma dieta” são algumas das resoluções de Ano Novo mais comuns, mas a maioria destes objetivos não chega a tornar-se rotina.

Nos primeiros dias do ano, há motivação para cumprir os objetivos: ir ao ginásio, comer saudável e combinar um café com amigos. Mas, com o passar do tempo, a força de vontade começa a esmorecer: há um dia em que se falha o compromisso, depois outro, e outro… Até que as resoluções do Ano Novo desvanecem totalmente.

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Mas o que fazer para mudar hábitos e cumprir as resoluções de Ano Novo? Alexandra Antunes, vice-presidente da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), e Miguel Ricou, presidente do Conselho de Especialidade de Psicologia Clínica e da Saúde na OPP, expõem algumas estratégias para conseguir manter as resoluções até ao final do ano.

Estipule objetivos pequenos, concretos e possíveis de alcançar

Se pretende manter-se fiel às resoluções de Ano Novo, poderá começar por estabelecer objetivos “específicos”, “concretos” e que sejam “fáceis de concretizar e de medir”, aconselha Miguel Ricou. Por outro lado, evite as resoluções vagas e que impliquem muitas mudanças ao mesmo tempo.

Por exemplo: se quer “ser mais saudável” este ano, opte por definir objetivos que sejam alcançáveis a curto prazo – como “ir ao ginásio uma vez por semana” ou “comer legumes em duas refeições por semana” – e que possam evoluir progressivamente

“As mudanças graduais são mais fáceis de manter. É melhor ser consistente do que mudar tudo de uma vez”, afirma Miguel Ricou, sublinhando que “quanto mais ambiciosa for a mudança, mais difícil será concretizá-la”.

No mesmo sentido, Alexandra Antunes identifica a “quantidade de mudanças que se pretende implementar” como um dos principais erros das resoluções de Ano Novo. Também a “grande expectativa que se cria perante as mudanças” pode ser prejudicial no processo a longo prazo.

A especialista sublinha ainda a importância de criar metas “que sejam fáceis de realizar”. “Os objetivos grandes causam desmotivação, enquanto os objetivos a curto prazo podem servir como motivação para continuar”, explica, acrescentando que a mudança de hábitos acontece “de forma progressiva”.

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A motivação está associada aos resultados positivos, que servem “como um reforço para continuar os novos hábitos”, esclarece Miguel Ricou. O psicólogo lembra ainda que “as rotinas só se estabelecem com tempo, repetição e resultados positivos”.

Perceba que as falhas fazem parte do processo

Mudar hábitos não é um processo linear, inclui falhas, desilusões e perda de motivação. Aceitar que estes momentos fazem parte do processo é um passo importante para manter as novas rotinas a longo prazo, garantem os dois especialistas.

Todos falhamos. É importante desculparmos as nossas pequenas falhas e sermos simpáticos connosco próprios”, afirma Miguel Ricou. “Se assim não for, às primeiras dificuldades, as pessoas tendem a desistir dos objetivos”, acrescenta.

Para Alexandra Antunes, existem três ações essenciais perante uma falha: “aceitar”, “perdoar-se” e “fazer diferente no dia seguinte”. A especialista reconhece que falhar um objetivo pode causar “desmotivação e vontade de desistir”, mas lembra que “as mudanças implicam tempo, prática, paciência e uma grande capacidade de aceitar a falha”.

Miguel Ricou frisa ainda que, para mudar hábitos, “não basta querer” ou ter “força de vontade”, é preciso ter em conta todo o contexto em que a pessoa se encontra – desde o trabalho à relação familiar.

“Mudar não é apenas uma questão individual, é também contextual. Se alguma coisa corre mal na nossa vida, isso vai impactar a capacidade de fazer mudanças de rotinas”, afirma o psicólogo.

Tome nota do seu progresso e evite comparações com outros

Num caderno, anote diariamente as alterações que introduziu na sua rotina e que vão ao encontro do seu objetivo. “Tomar nota do que faz diariamente permite ter consciência do que já foi alcançado”, explica Alexandra Antunes. 

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Este registo poderá servir como fonte de motivação em momentos em que se sente em baixo ou tentado a desistir. Ao reler o progresso, tem uma noção mais clara das conquistas que alcançou e das mudanças que já implementou na sua rotina.

“Se as mudanças ficarem apenas na memória, o progresso fica turvo. Passados dois ou três dias já não se lembra do que fez”, diz a psicóloga.

Poderá também partilhar as conquistas com familiares e amigos ou juntar-se a pessoas que tenham objetivos semelhantes. Miguel Ricou afirma que o apoio social pode ser um fator importante na perceção de que “as mudanças de hábitos não dependem apenas da força de vontade”.

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No entanto, sublinha o psicólogo, nunca deve comparar o seu percurso com o de outras pessoas. “Não vale a pena fazer comparações. Somos todos diferentes e os contextos que cada um está a viver também são diferentes”, afirma Miguel Ricou.

O psicólogo reforça que o processo de “mudar hábitos é complexo” e implica “resistência e estrutura” para levar as resoluções avante. Ainda assim, acredita, “é sempre possível mudar hábitos”.

“Se não conseguiu cumprir o objetivo agora, tente noutra altura. Perceba o que correu mal e o que pode fazer melhor na próxima vez. O importante é não desistir da mudança”, remata.

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1 Jan 2026 - 08:45

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