PUB

Beber água de arroz cozido trata gastrite? O que se sabe até agora

16 Dez 2024 - 08:47

Beber água de arroz cozido trata gastrite? O que se sabe até agora

Nas redes sociais sugere-se que beber a água do arroz cozido ajuda a tratar a gastrite e outros problemas digestivos, como diarreia e vómitos. Num post partilhado no Facebook, alega-se que esta receita é um “remédio natural para a gastrite”, pois ajuda a “aliviar os sintomas”. No TikTok, destacam-se também os supostos benefícios desta mezinha. Num dos vídeos publicados, alega-se que a água de arroz cozido “tem propriedades anti-diarreicas, melhora a mucosa intestinal” e “hidrata”. Mas será mesmo assim? 

É verdade que a água de arroz cozido trata a gastrite e outros problemas digestivos?

Em declarações ao Viral, Manuel Coelho da Rocha, gastroenterologista no Hospital Cruz Vermelha, avança que “não é possível afirmar categoricamente que a água de arroz cozido alivia, por si só, os sintomas de gastrite”. 

PUB

Embora “existam relatos empíricos e recomendações populares sobre o seu uso, a evidência científica que comprove esta eficácia é limitada” (ver aqui e aqui). 

No entanto, isto não quer dizer que a água de arroz cozido não tenha “efeitos positivos no trato gastrointestinal”. 

Segundo o gastroenterologista, “devido ao seu conteúdo em amido e hidratos de carbono simples”, a água de arroz cozido “pode contribuir para a cicatrização da mucosa do trato digestivo e promover a reidratação”. 

Por isso é que esta receita “é frequentemente recomendada em contexto de gastroenterite aguda (com diarreia e/ou vómitos) como uma solução ‘caseira’ para repor líquidos e nutrientes”, prossegue.

No entanto, como “a evidência científica dos benefícios da ingestão de água de arroz cozido é muito limitada”, esta não deve ser encarada como substituta de “tratamentos médicos específicos para a gastrite”, salienta.

Esta prática deve ser, no máximo, vista como “uma medida de conforto complementar”, defende o médico.

O mesmo se aplica em casos de vómitos ou diarreia aguda. “Beber água de arroz cozido pode ser benéfico”, pois “ajuda a reidratar o organismo e fornece uma pequena quantidade de energia através dos hidratos de carbono simples presentes no amido”. 

Ainda assim, “esta prática deve ser acompanhada por outras medidas de reidratação e, em casos graves ou persistentes, requerer observação médica”, avisa o especialista.

Como é tratada a gastrite?

Segundo Manuel Coelho da Rocha, “o tratamento da gastrite depende do tipo de gastrite e da causa subjacente”. 

PUB

Regra geral, esta condição é tratada com a “toma de fármacos que inibem a produção de ácido pelo estômago, como, por exemplo, o omeprazol”, avança.

Caso esteja presente “a bactéria Helicobacter pylori” também é importante eliminá-la, “através da toma de antibióticos”, prossegue o gastroenterologista.

Tal como se esclarece num texto informativo dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla inglesa), “embora seja normalmente assintomática, a infeção por H. pylori é a principal causa de úlcera péptica e gastrite em todo o mundo”.

Caracteriza-se, com frequência, por uma “dor epigástrica” (parte superior do abdómen) com sensação de “picada” ou “queimadura” e, “menos frequentemente, os sintomas incluem perda de apetite, náuseas ou vómitos”, acrescenta-se no mesmo texto.

Como medidas adicionais para o tratamento da gastrite, “recomenda-se evitar a toma de anti-inflamatórios não esteroides (como o ibuprofeno)” e “evitar ingestão de gorduras, bebidas alcoólicas e consumo de tabaco”, assinala Manuel Coelho da Rocha (ver também aqui, aqui e aqui).

Em todo o caso, neste contexto, é essencial “consultar o médico assistente (ou um gastroenterologista) para adequada avaliação e orientação terapêutica”, defende o especialista.


PUB

Este artigo foi desenvolvido no âmbito do European Media and Information Fund, uma iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian e do European University Institute.

The sole responsibility for any content supported by the European Media and Information Fund lies with the author(s) and it may not necessarily reflect the positions of the EMIF and the Fund Partners, the Calouste Gulbenkian Foundation and the European University Institute.

Categorias:

Alimentação

Etiquetas:

FEED

16 Dez 2024 - 08:47

Partilhar:

PUB