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“Aférese terapêutica”: Tratamento promovido por Vera Kolodzig não serve para “evitar doenças” e tem riscos

30 Jul 2024 - 08:57

“Aférese terapêutica”: Tratamento promovido por Vera Kolodzig não serve para “evitar doenças” e tem riscos

Vera Kolodzig promoveu no Instagram um procedimento que, segundo a atriz, desintoxica o sangue e previne doenças: a aférese terapêutica. Na publicação, Kolodzig afirma que não está doente, mas que se submeteu à “aférese terapêutica” para “evitar que fique”. Além disso, sugere ainda que este procedimento faz uma espécie de “filtragem que retira os tóxicos” do sangue.

vera post

Na secção de comentários do post (que, entretanto, já foi apagado), várias pessoas começaram a questionar a veracidade destas informações. Vários utilizadores pediram à atriz que apresentasse evidência científica que sustentasse as alegações. Um deles escreveu que “não existe evidência científica ou recomendação das diversas sociedades médicas para ‘aférese profilática’”. 

No Twitter, a discussão continuou. Num post, em que se partilha uma captura de ecrã com a publicação em questão, surgem vários comentários, mais uma vez, a porem em causa a eficácia da aférese enquanto procedimento “preventivo”.

aférese vera kolodzig

Afinal, o que é a aférese? Está comprovado que este procedimento desintoxica o sangue e atua na prevenção de doenças? E é recomendado a pessoas saudáveis?

É verdade que a aférese desintoxica sangue de pessoas saudáveis e previne doenças?

Contactado pelo Viral, o Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST) adianta que “não tem conhecimento de evidência científica” que comprove que a aférese tenha benefícios para uma pessoa saudável, como a desintoxicação do sangue, nem que previna doenças.

Segundo o IPST, a aférese é um “procedimento que procede à separação do sangue nos seus diferentes componentes através de um equipamento automático (separador celular)”.

Por um lado, enquanto “ato terapêutico”, a aférese efetua-se “em doentes com diferentes patologias”.

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Como se refere num texto informativo publicado no site da Clínica da Escola de Medicina de Yale, em casos específicos de “doentes que sofrem de uma doença associada a um componente sanguíneo celular ou plasmático anormal”, a aférese isola e remove as partes anómalas do sangue “e, em seguida, os componentes normais do sangue do doente são devolvidos às veias”.

Noutro plano, salienta o IPST, também pode efetuar-se a aférese em “indivíduos saudáveis, enquanto potenciais dadores, para a obtenção de diferentes componentes sanguíneos e de células estaminais”.

Neste tipo de aférese, destaca-se no texto da clínica de Yale, a pessoa dadora utiliza uma máquina de aférese “programada para recolher o componente sanguíneo desejado”.

Tal como acontece com as dádivas comuns de sangue, o componente recolhido pode ser armazenado e distribuído, para ser administrado a um doente necessitado.

Como se pode ler num panfleto informativo do Serviço de Imunoterapia do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho (CHVNG/E), os “doentes oncológicos e hematológicos”, os que estão “a realizar quimioterapia e/ou radioterapia” e os que foram “submetidos a intervenções cirúrgicas” são as pessoas que beneficiam mais de uma dádiva por aférese.

Quem pode submeter-se a este procedimento? Há riscos associados à aférese?

O IPST refere que, enquanto potencial dador por aférese, deve-se “reunir os mesmos critérios que o dador de sangue total”, ou seja, “ter idade superior a 18 anos, ser saudável e ter um peso superior ou igual a 50 kg”.

Além disso, são tidos em conta alguns critérios específicos, “consoante o componente ou componentes a obter no procedimento”, que vão ser avaliados antes da aférese.

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Por exemplo, destaca-se no panfleto do CHVNG/E, “no caso da doação de plaquetas, o dador não deve tomar anti-inflamatórios ou aspirina nos cinco dias anteriores”.

Em termos de riscos, segundo a clínica da Escola de Medicina de Yale, “tal como acontece com as dádivas de sangue normais, a aférese é geralmente indolor”. 

Contudo, avisa o IPST, este procedimento “poderá ter efeitos secundários dos quais o potencial dador ou doente deverá ser previamente informado e dar o seu consentimento antes da realização” da aférese. 

Os possíveis efeitos, destacados pela clínica de Yale, são: “desconforto no braço onde a agulha é inserida, tonturas, suores ou uma descida da tensão arterial”.

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Se um doente receber componentes de um dador, como glóbulos vermelhos, como parte do tratamento, existe ainda “um pequeno risco de reação alérgica ou febre”, acrescenta-se. 

Mas, como se conhece este risco, por norma, “os doentes são monitorizados e quaisquer reações adversas são identificadas e tratadas rapidamente”, assegura-se no mesmo texto.

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30 Jul 2024 - 08:57

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