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Açúcar ou adoçante: há uma alternativa “melhor” para a saúde?

29 Jan 2025 - 09:14

Açúcar ou adoçante: há uma alternativa “melhor” para a saúde?

Nas redes sociais, nunca houve consenso sobre qual é a melhor opção: o açúcar ou o adoçante. Durante muito tempo, defendia-se que era melhor optar pelos adoçantes, dado que, ao contrário do açúcar, são baixos em calorias. No entanto, em alguns vídeos partilhados no TikTok, alega-se que o açúcar é sempre uma “melhor” opção para a saúde.

O autor de um dos vídeos sugere que “entre açúcar e adoçante”, o açúcar é “sem sombra de dúvida” o melhor, porque tem “menos efeitos colaterais”. Noutro vídeo, recomenda-se que nunca se consuma dois tipos de adoçantes: “o aspartame” e “a sucralose”. Afinal, qual o melhor para a saúde: açúcar ou adoçante?

O açúcar é “melhor” para a saúde do que o adoçante?

Em declarações ao Viral, Pedro Carvalho, professor na Universidade Católica no Porto e nutricionista no Centro Médico Velasquez, defende que, na maioria dos casos, quando a escolha é entre ingerir algo com açúcar ou adoçante, o segundo pode ser a escolha mais acertada.

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Os adoçantes “não têm quase calorias nenhumas, não aumentam a glicemia [os níveis de açúcar no sangue] e não aumentam o risco de cáries dentárias”, explica.

Importa salientar que existem exceções à regra. Devem optar pelo açúcar, por exemplo, “pessoas que pretendam aumentar de peso em massa muscular ou nos poucos casos em que também se pretende aumentar a massa gorda”.

Também é mais prudente escolher o açúcar “em casos extremos e agudos de hipoglicemia”, uma condição em que o açúcar no sangue desce para valores inferiores aos considerados normais. 

Em contexto de perda ou controlo de peso, “a opção pelo adoçante fará mais sentido”, acrescenta Pedro Carvalho.

Ainda assim, salienta-se num texto informativo do Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS, na sigla inglesa), os adoçantes “não tornam um alimento ou bebida necessariamente saudável”.

No geral, deve-se reduzir o consumo de açúcar e ser prudente na ingestão de adoçantes. No entanto, os adoçantes “podem ser uma alternativa útil para as pessoas que querem reduzir a ingestão de açúcar, mantendo o sabor doce”, acrescenta-se no mesmo texto.

Por exemplo, defende Pedro Carvalho, “o ideal é beber café sem açúcar nem adoçante, mas entre os dois que venha o adoçante”.

Importa salientar que “as bebidas gaseificadas estão associadas à erosão dentária devido ao seu conteúdo ácido, independentemente de conterem açúcar ou adoçante”, refere-se no texto do NHS. Logo, neste caso, o benefício prende-se com a diferença de calorias.

O aspartame e a sucralose são seguros para a saúde?

Nos vídeos em análise alega-se que o aspartame e a sucralose são perigosos para a saúde. Contudo, adianta Pedro Carvalho, estes adoçantes “são seguros” e “não há risco nenhum no seu consumo”, dentro das doses máximas recomendadas.

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Aliás, tanto o aspartame como a sucralose fazem parte da lista de adoçantes aprovados pela Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA, na sigla inglesa).

Até à data, não foram levantadas preocupações de segurança no que toca à ingestão de sucralose, dentro dos limites recomendados (ver aqui).

Em relação ao aspartame, em 2023, tal como foi esclarecido anteriormente pelo Viral, a Agência Internacional de Investigação sobre o Cancro (IARC, na sigla inglesa) da Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou que este adoçante passa a ser classificado como “possivelmente cancerígeno para os seres humanos”, enquadrando este aditivo no grupo 2B do seu sistema de classificação.

Isto significa, explica-se num texto do Cancer Research UK, que o aspartame “é possivelmente carcinogénico, mas não existem provas suficientes em humanos para ter a certeza”. 

O grupo 2B (que também inclui a carne vermelha) “mostra frequentemente que algo pode causar cancro em animais, mas não foi capaz de o demonstrar em humanos”. 

No caso do aspartame, “não houve provas convincentes em humanos ou em animais”, acrescenta-se. 

Aliás, mantém-se “a dose diária aceitável de 40 mg de aspartame por quilo de peso corporal”, e não há nenhuma recomendação para que os produtos com este edulcorante sejam retirados do mercado.

Os investigadores sublinham, contudo, a necessidade de se desenvolverem mais e melhores estudos sobre o potencial cancerígeno do aspartame e sobre os possíveis impactos deste aditivo na saúde.

Até hoje, não há provas robustas que indiquem que o aspartame ou qualquer outro adoçante causa, de facto, cancro em humanos (ver aqui, aqui, aqui, aqui e aqui).

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Alimentação

29 Jan 2025 - 09:14

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