Ácido hialurónico: O que é? Para que serve? Quem pode usar?
Quando o tema é rotinas de cuidados de pele e skincare para prevenir ou atenuar sinais de envelhecimento, o ácido hialurónico é um produto frequentemente mencionado. Este produto pode ser encontrado no mercado em vários formatos, mas os principais são em cosméticos tópicos (como, cremes, loções e séruns) e em injetáveis para serem utilizados em preenchimentos (fillers). Afinal, o que é o ácido hialurónico? Para que serve? Quem pode usar?
O que é o ácido hialurónico?
Em declarações ao Viral, Sara Fernandes, farmacêutica especializada em dermocosmética e autora do blog Make Down, começa por explicar que “o ácido hialurónico é um glicosaminoglicano, uma molécula muito grande, constantemente produzida e degradada” de forma natural pelo organismo.
Esta molécula é produzida por “células que existem em vários tecidos chamadas fibroblastos e está presente na pele, articulações, olhos e tecido conjuntivo no geral”, adianta.
A sua principal função é “atrair e reter a água no seu interior, o que favorece a lubrificação de alguns tecidos e a sua elasticidade necessária para o normal funcionamento do corpo”.
Também existem produtos cosméticos que contêm “ácido hialurónico igual ao que produzimos no nosso corpo”.
Neste contexto, o ácido hialurónico “é produzido principalmente por bactérias em laboratório, através de um processo denominado biofermentação”, lê-se num texto da Harvard Medical School.
Para que servem os cosméticos com ácido hialurónico?
Os produtos tópicos com ácido hialurónico “têm como função hidratar”, avança Sara Fernandes (ver também aqui).
“A nossa pele perde água constantemente e é um processo natural, mas quando acontece demasiado dá-se secura e uma disrupção da barreira cutânea”, explica.
Aliás, “à medida que envelhecemos, os nossos fibroblastos vão reduzindo e os que existem têm a sua atividade reduzida”. Enquanto isso, “a degradação vai continuar a acontecer, resultando num saldo menor”, prossegue.
A produção de substâncias essenciais na pele, “incluindo o ácido hialurónico (em conjunto com o colagénio e a elastina), diminui” e a pele “perde volume, hidratação e firmeza”, lê-se no texto da Harvard Medical School.
O ácido hialurónico pode ser particularmente interessante nesta fase. Esta substância “faz parte de um grupo de moléculas chamadas humectantes que atrai água e a mantém na pele”, aponta Sara Fernandes.
Segundo o texto da Harvard Medical School, o ácido hialurónico “existe em diferentes tamanhos moleculares”. As maiores, “apesar de serem as melhores a reter água e a proporcionar hidratação, não conseguem penetrar na pele”.
Isto porque, quando são “aplicadas topicamente (na pele), estas moléculas ficam na superfície da pele, proporcionando hidratação apenas na camada mais superficial”.
As moléculas mais pequenas, “que retêm menos água do que as moléculas maiores, conseguem penetrar mais profundamente na pele (embora apenas na epiderme, a camada mais superficial da pele)”.
Assim, para uma hidratação superficial máxima, o ideal é ter um produto que contenha moléculas de ácido hialurónico de vários tamanhos.
Além disso, é importante perceber que a eficácia dos produtos tópicos com ácido hialurónico – cremes e séruns, por exemplo – tem limites.
O ácido hialurónico tópico “é um excelente hidratante”, mas “se o objetivo for melhorar a perda de volume e a flacidez da pele que ocorrem naturalmente com o envelhecimento”, o ácido hialurónico injetável é mais eficaz.
Quem pode usar?
Estes produtos “são adequados a quase toda a gente e tipos de pele”, defende Sara Fernandes. “São compatíveis com o nosso corpo, não agridem a pele e, a não ser que a pessoa seja alérgica, não vejo nenhuma contraindicação”, acrescenta.
Também é um produto “seguro para uso na pele durante a gravidez e a amamentação”, refere-se no texto da Harvard Medical School.
Assim, “para pessoas com pele seca, ou para quem deseja uma sensação mais fresca e hidratada na pele durante os meses mais frios, um sérum ou um hidratante” que contenha ácido hialurónico “pode ser uma ótima escolha”, acrescenta-se.
Ácido hialurónico tópico ou injetável: o que os distingue?
“Várias coisas: tanto o peso molecular, como o facto de estar mais ou menos purificado, porque obviamente tudo o que é injetado tem maior risco para a saúde”, explica Sara Fernandes.
O ácido hialurónico injetável “é usado para restituir volume perdido na pele, de forma compatível com o nosso organismo”, adianta a farmacêutica.
Pode ser utilizado “para tratar uma variedade de preocupações estéticas, incluindo o lifting das bochechas, o suavizar de rugas e linhas de expressão mais profundas à volta da boca e do queixo, a melhoria do aspeto das olheiras escuras e encovadas, a hidratação e realce dos lábios e o rejuvenescimento das mãos e dos lóbulos das orelhas”, esclarece-se no site da Harvard Medical School.
Segundo um texto da American Society of Plastic Surgeons, o ácido hialurónico pode ainda ser utilizado “para corrigir distúrbios nas áreas da reumatologia, oftalmologia e tratamento de feridas”.
Sara Fernandes considera importante realçar que o ácido hialurónico “é um dispositivo médico, por isso, deve ser administrado por um médico”, e a avaliação deve ser feita através “de um estudo do rosto e das zonas com maior perda de volume”.
“Os riscos são reduzidos, pode existir uma reação ou um hematoma, mas é raro que exista uma reacção mais exuberante”, sobretudo “se se cumprir as indicações pós-procedimento e se não se for excessivamente ambicioso na restituição do volume”, acrescenta (ver também aqui).