10 hábitos que estão a prejudicar o seu cérebro
O Dia Mundial do Cérebro, celebrado a 22 de julho, é uma oportunidade para refletir sobre o impacto que os hábitos diários podem ter na saúde cerebral e perceber que, muitas vezes, alguns comportamentos aparentemente inofensivos podem fazer a diferença a longo prazo.
A pensar nisso, Filipe Palavra, médico neurologista na Unidade Local de Saúde de Coimbra (ULS Coimbra) e vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Neurologia, identifica 10 hábitos comuns que podem estar a prejudicar o seu cérebro.
1 – Utilização excessiva de tecnologia
Realizar várias tarefas digitais em simultâneo, como alternar entre redes sociais, mensagens, jogos e vídeos, “é, talvez, o pior hábito que, neste momento, está a impactar a saúde do cérebro social, sendo este aspeto particularmente negativo nas crianças e no seu desenvolvimento”, começa por explicar, ao Viral Check, o médico neurologista e vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Neurologia, Filipe Palavra.
“Saltar constantemente entre tarefas digitais reduz a capacidade de concentração, afeta a memória de trabalho e leva à fadiga mental”, salienta o especialista.
Além disso, Filipe Palavra diz, ainda, que este tipo de comportamento pode reduzir a criatividade e imaginação das crianças, a fluência de leitura e pode causar um impacto extremamente negativo na saúde mental.
2 – Privação de sono
Dormir poucas horas ou ter um sono de má qualidade pode ter consequências graves para a saúde cerebral.
Segundo Filipe Palavra, a privação de sono “impede a consolidação da memória, reduz a capacidade de atenção e pode acelerar o declínio cognitivo”.
O neurologista explica que o “cérebro precisa de sono para poder eliminar vários produtos do metabolismo celular, que podem exercer um efeito tóxico sobre os neurónios”.
Segundo a Associação Americana do Cérebro, o sono e o cérebro influenciam-se mutuamente. Isso significa que, enquanto o cérebro e o corpo ajudam a regular o sono e os ritmos circadianos, esses mesmos ritmos circadianos e a qualidade do sono também têm impacto direto no funcionamento do cérebro e do corpo.
3 – Sedentarismo
A falta de atividade física reduz o fluxo sanguíneo cerebral, “prejudicando a oxigenação e a nutrição dos neurónios”.
Por outro lado, o especialista sublinha que manter uma rotina regular de exercício físico tem benefícios significativos, uma vez que “promove a neuroplasticidade e melhora a memória”.
4 – Alimentação rica em açúcares e gorduras saturadas
Uma dieta pobre em nutrientes e rica em alimentos processados “favorece a inflamação e o stress oxidativo, associados a múltiplas doenças neurológicas, não somente degenerativas”, alerta Filipe Palavra.
O neurologista acrescenta, ainda, que os efeitos não se limitam ao cérebro, uma vez que “pode afetar negativamente a saúde digestiva, que cada vez mais se relaciona com a saúde cerebral, como se de um todo se tratasse”.
5 – Consumo excessivo de álcool
O consumo excessivo de álcool é tóxico para o cérebro, “podendo danificar permanentemente os neurónios, acelerando a sua morte”, salienta o médico.
“Os efeitos nocivos do álcool sobre outros órgãos (como o fígado, por exemplo) agudizam o grande prejuízo que essa substância tóxica exerce sobre o cérebro, quando consumido em excesso e de forma pouco ponderada”, acrescenta.
6 – Tabagismo
O vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Neurologia explica que “o tabaco compromete a oxigenação do cérebro e está associado a maior risco de acidente vascular cerebral, demência e de outro tipo de doenças degenerativas”.
Manter o cérebro ativo passa também pelas relações sociais e pelos desafios intelectuais do dia a dia, dado que “a interação social e os desafios cognitivos estimulam a neuroplasticidade”, salienta Filipe Palavra.
Por outro lado, o isolamento e a monotonia, “favorecem o declínio das funções nervosas superiores e aumentam o risco de depressão e demência”.
8 – Stress crónico
Filipe Palavra sublinha que “o stress contínuo aumenta os níveis de cortisol, o que potencia vários mecanismos relacionados com a neurodegeneração (a atrofia do hipocampo, a zona do cérebro ligada à memória”.
Além disso, o neurologista destaca que “a regulação emocional sai muito prejudicada da relação com o stress crónico”, o que “favorece naturalmente o aparecimento de doenças mentais”.
9 – Exposição prolongada a poluição
O médico explica que a poluição do ar “tem sido associada a inflamação cerebral, menor desempenho cognitivo e aumento do risco de doenças neurodegenerativas”.
De igual modo, o neurologista sublinha que viver em cidades onde há uma elevada concentração destas toxinas ambientais pode, também, contribuir para o aparecimento de doenças neurológicas.
10 – Ingestão de água insuficiente
Manter o corpo bem hidratado é essencial para o bom funcionamento do cérebro.
Filipe Palavra explica que “o cérebro é altamente sensível à falta de água” e que “a desidratação – resultante da fraca ingestão de água – pode causar fadiga, confusão, cefaleia e diminuição da concentração”.
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